7 de abril de 2014

Zona de Conforto

“Estou fazendo isso por Deus ou só porque por acaso gosto de fazê-lo?”

Hoje me deparei com essa frase do C.S. Lewis (de vez em quando me pergunto se não encho o saco das pessoas com o tanto que ele aparece nas minhas conversas), e nossa, como ela me fez pensar! Mas vamos por partes.

Ontem, conversando com a Nicole, uma das líderes de clubinho da minha faculdade, que é apaixonada por missões, percebi o quanto ela se interessa pelo tema, o prazer que tem em estudar o assunto, em ouvir testemunhos de quem está no campo, de se preparar para quando chegar a hora de ser a vez de ela ir.

E o mesmo acontece comigo com apologética e teologia prática. É um prazer para mim ouvir e ler sobre esses tópicos. Por mais que eu também goste de outras áreas, são essas que me deixam estimulada, com um sorriso no rosto e com o coração pegando fogo. E eu sei que o meu chamado está muito relacionado com esses dois pontos.

Sempre fico maravilhada com esse jeito multiforme que Deus tem de se manifestar. E Ele não depende de nós, mas escolhe cada um para trabalhar com algo diferente, completando a obra e o corpo de Cristo. Ele direciona um de seus filhos para missões, outro para focar em apologética, outro para batalha espiritual, para cura e libertação, discipulado, intercessão, adoração, e por aí vai.

Aí hoje o Lewis me vem com essa: “Se o que gostamos de fazer é, com efeito, o que Deus quer que façamos, essa ainda não é nossa razão para fazê-lo: continua a ser uma feliz coincidência”.

E se em algum ponto da minha vida a vontade de Deus seja que meu foco passe a ser em missões? Será que irei me envolver tão apaixonadamente no assunto quanto a Nicole? Será que não irei lamentar por ter que trabalhar na obra com aquilo que não é necessariamente o que eu “gosto de fazer”?

Acho que quando a intenção do nosso coração é mesmo servir, sempre nos alegramos em cumprir a vontade de Deus, seja ela qual for. Passamos a nos interessar e nos importar com qualquer que seja o desejo dEle para nós. E glórias por isso! Mas gostar de fazer o que Deus quer que a gente faça tem que ser nada mais que uma “feliz coincidência”, e não a nossa motivação.

E servir a Deus não tem a ver com sofrimento, mas tem muito a ver sacrifício. 

“Davi expressou seu desejo: ‘Quem me dera me trouxessem água da cisterna que fica junto à porta de Belém!’ Então aqueles três infiltraram-se no acampamento filisteu, tiraram água daquela cisterna e a trouxeram a Davi. Mas ele se recusou a beber; em vez disso, derramou-a como uma oferta ao Senhor. ‘Longe de mim fazer isso, ó meu Deus!’, disse Davi. ‘Esta água representa o sangue desses homens que arriscaram a própria vida!’ Eles arriscaram a vida para trazê-la. E não quis bebê-la. Foram essas as proezas dos três principais guerreiros.” (I Cr 11:17-19). 

Geralmente esse texto é usado para falar sobre a coragem e o serviço dos valentes de Davi, mas o que mais me tocou dessa vez foi o sacrifício que o rei entregou. Ele queria água, e teve a água. Mas escolheu oferece-la como sacrifício. Às vezes a gente tem o que quer, mas não para por aí. E por melhor que possa ser unir o útil ao agradável (querer a água e ter a água, querer servir a Deus e servir com o que gostamos), o evangelho nunca foi sobre zona de conforto.






Amanda Almeida
Estudante de Comunicação Social na UFMG
Twitter: @mandyalmeida
Frase: Apaixonada por Aquele que me amou primeiro!


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