21 de abril de 2014

O homem cortês



O homem cortês não é aquele que cronometra todos os seus gestos com a finalidade exclusiva de agradar e impressionar, mas aquele que conhece e pratica todas as normas de comportamento social com perfeito senso de oportunidade.
Digamos que o homem cortês é: 
- Aquele que sabe, em primeiro lugar, que o melhor teste para as boas maneiras é saber tolerar as más. 
- Aquele que sabe ouvir com atenção, ainda que o assunto não lhe interesse. E mais: não interrompe com apartes apenas para mostrar erudição. Erudição se tem não se mostra. 
- Aquele que é um conversador inteligente e bem informado, mas sabe ser superficial ou serio conforme a ocasião. E é, sobretudo, aquele que conversa sobre política, economia, arte, atualidades (...) mas evita polêmica. 
- Aquele que não foge aos modismos da linguagem atualizada, mas deve fazer restrição ao palavrão. 
- Aquele que cede passagem, a preferência e o lugar às senhoras e aos mais velhos com a naturalidade e a espontaneidade da pessoa habituada a assim proceder.
- Aquele que sabe que oferecer uma cadeira ou levantar-se para cumprimentar não indica servilismo nem afetação. 
- Aquele que sabe agradecer, pedir licença e desculpar-se com igual dignidade. 
- Aquele que sabe quando o elogio não parece bajulação.
- Aquele que cultiva a descrição e conserva-se alheio à maledicência. 
- Aquele que consulta o amigo quando deseja presentear a esposa.
- Aquele que envia flores, mas as faz acompanhar por um cartão amável, porém discreto.
- Aquele que elogia a beleza e a elegância das mulheres mesmo que não esteja de acordo com uma nem outra. 
- Aquele que, ao se oferecer para acompanhar uma senhora, não insiste diante de uma recusa.
 - Aquele que não deixa senhoras e senhoritas, desprotegidas e suscetíveis a danos físicos e morais.
- Aquele que modera a sua vocação de paquerador quando acompanhado.
- Aquele que não passa da hora em uma recepção quando sabe que se torna indiscreto.
- Aquele que é pontual quando convidado e é pontual quando deve acompanhar outra pessoa. 
Resumindo o homem cortês sabe que o excesso de cortesia não é boa coisa. Os excessos, como todos sabem, são saturantes. O excesso de boas maneiras, por exemplo, pode levar ao preciosismo comum aos deslumbrados, aos que chegaram depois. O homem cortes sabe que o desejo de agradar custe o que custar costuma transformar o indivíduo mais bem intencionado num importuno. E sabe também que ser cortes é ser bem educado, é ser civilizado e, sobretudo é manter, sem vacilar, o tom ideal da cortesia. Em suma, sabe tudo isso e muito mais porque é o HOMEM CORTÊS.
Para concluir, tomo de empréstimo esta definição que considero genial: “Um cavalheiro é aquele que jamais insulta o outro sem intenção.”
Há de parecer um non-sense o insulto incluído aqui. É simples. Explico: é que não falo só homem cortes no sentido quase pejorativo usado para definir a falta de personalidade e de opinião; ou para apontar aquele que se oculta atrás da mascara da cortesia e da boa educação para estar sempre de bem com todo. Não. Não é nada disso. O homem cortes é aquele cavalheiro superiormente bem educado que sabe quando fazer-se de desentendido. Sabe, entretanto, reagir, quando necessário, mas ainda assim, como cavalheiro. 







Camila Verçosa
Blog Pessoal: http://camilavercosa.blogspot.com.br/
Twitter: @camilavercosa
Frase: Articulista do savoir-vivre. E tudo, mesmo, começou com o amor do Cristo por nós.

Um comentário:

  1. "Aquele que cultiva a descrição"? Complicado.
    Aquele que cultiva a DISCRIÇÃO.

    =)

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