17 de dezembro de 2013

Do jeito que eu sou (parte2)


Leia a parte 1 deste post aqui
 
Tudo bem, eu sei que parece chavão, mas é a mais pura realidade. Deus não é um perdedor, e não gera filhos que se encaixem nesta descrição. Além do mais, ele é alguém com muito bom senso – o suficiente para não fazer a tolice de apostar as suas fichas em quem não pode corresponder às suas expectativas.
Quem daria a vida do seu filho por um fracassado, sem futuro, incapaz de fazer algo de valor? Ninguém com um pingo de juízo! E acho que Deus tem mais que um pingo, né? Vamos concordar, ele nos criou, e apesar de termos nos perdido no meio do caminho, ele sabia o que havia depositado em nós, e o quanto valia a pena nos resgatar e restaurar a nossa vida para que fôssemos aquilo para o que fomos gerados.
Foi o conhecimento do caráter dele que me deu segurança. Conhecer o seu imensurável amor e quem ele me tornou em Cristo, fez com que eu abrisse os olhos para aquilo que sou, tenho e posso nele!

"… somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou." (Rm 8.37) 
Ele nos amou, e por essa razão, deu aquilo que tinha de mais precioso para nos tornar mais que vencedores! Mas aí é que tá, conheço inúmeras pessoas que sabem de cor os versículos bíblicos que declaram coisas afins, e ainda assim não acreditam em si mesmas. São dependentes emocionais, tímidas, viciadas em elogios e aprovação de homens, sem o mínimo de ousadia – exatamente como eu era.
Não que eu as esteja criticando, até porque eu experimentei isso. Não ouvi uma prima ou uma vizinha contar, mas passei pelo drama pessoal e dolorosamente. Vivi longos anos à sombra da minha irmã mais velha, que chegava e acontecia em todas as festas, tinha os melhores amigos e conquistava os melhores rapazes. Eu era o patinho feio ao lado do cisne exuberante. Estávamos prontas para sair: ela, linda, magra e talentosa. Eu, gorda, insegura e cabisbaixa.
É claaaaro que não era o fator peso quem me tornava alguém desinteressante. Sei de muitas meninas que não estão de bem com a balança, mas que têm uma intimidade estrondosa com suas próprias personalidades. Eu me sentia daquela forma simplesmente porque deixava que o diabo usasse não somente aquilo para me oprimir, mas todos os medos e sofismas que ele mesmo tinha se encarregado de semear dentro de mim.
Eu me achava feia, e me via assim. Eu me sentia burra, e me enxergava dessa forma. Eu tinha medo da vida, da rejeição, das críticas, da exposição… enfim, eu era um poço de insegurança!
Tá, naquele tempo eu nem sabia que o diabo existia e que queria me manter naquele cativeiro de autocomiseração, mas um dia eu descobri. Tive que conhecer Jesus, a fim de compreender que Deus me ama e acredita em mim, e que é Satanás quem adora deixar pessoas com baixa estima, porque pode manobra-las facilmente a com o objetivo de mantê-las longe do plano do Pai.
É ele quem se encarrega de mentir para nós sobre quem somos. É dele a voz que diz “não posso”, “não consigo”, “não tenho”, “não sou”, ainda que em primeira pessoa. É ele quem insiste em descredibilizar a Palavra de Deus, porque é exatamente ela que nos informa a verdade que liberta – que somos filhos de Deus, e ele nos dotou de muito poder!

"Porque não recebestes o espírito de escravidão, para viverdes, outra vez, atemorizados, mas recebestes o espírito de adoção, baseados no qual clamamos: Aba, Pai… Ora, se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo..." (Rm 8.15,17) 
A imagem que temos de nós mesmos nem sempre é a que Deus tem, e é por isso que precisamos saber como ele nos enxerga, para que possamos corresponder às suas expectativas. Saber quem Deus é vai nos levar a entender quem de fato somos. Conhecer Jesus vai estabelecer os limites do que podemos ser, fazer e ter da parte de Deus.
Uma pessoa que não se aceita é alguém frágil demais. Fica tão vulnerável por não acreditar em si mesma, que busca nos outros a aceitação que não tem dentro dela.
Ora, como alguém que se sente insignificante pode se imaginar vivendo os grandes planos traçados por Deus para ele…?! Não mesmo! Não há como pensar grande, quando seus olhos só enxergam o chão. É quando os erguemos contemplando a imensidão do ser de Deus e compreendemos que fomos feitos à sua imagem, que pensamos alto como são seus sonhos para nós!
É aí que nos vemos cumprindo as nossas carreiras e ministérios.
É aí que não aceitamos a miséria, a doença, a tristeza, o desprezo.
É aí que entendemos que a felicidade é a escolha diária de acreditar que o que ele diz sobre nós é sobre o que outras pessoas pensam, seja qual for a opinião delas!
É aí que não precisamos depender da aprovação alheia para estarmos de bem com a vida, ainda que não sejamos nem um pouco parecidos com a Gisele Bündchen ou o Brad Pitt.
É aí entendemos que a aparência física pode ser um bom atrativo, mas que a gente se apaixona mesmo é pela alma das pessoas, e isso não se vê, mas se experimenta, se sente, se vive… E que atraente mesmo é quem se casa com a nossa alma, não com as nossas curvas.
(Vamos combinar: a embalagem nunca poderá ser melhor que o conteúdo, ou alguma coisa estará errada.)
Eu demorei a compreender estas verdades. E sei que não é em poucas linhas escritas que vou conseguir transmiti-las integralmente para algumas pessoas que estão represadas dentro de si mesmas. No entanto, eu preciso dizer que é possível! Você pode “todas as coisas naquele que te fortalece”! (Fp 4.13)

Foi com base nesta verdade que me firmei para vencer tudo aquilo que me detinha. Hoje, eu sou capaz de me aceitar exatamente do jeito que sou. Eu decidi isso, e desde então estou vivendo assim…
É claro que há sim muitas coisas que eu quero e preciso mudar em mim, tanto na estética, quanto no caráter. Mas eu encontrei o equilíbrio entre a aceitação e o comodismo, e não vivo mais atormentada.
 Aceitei-me, ponto. Isso quer dizer que pouco a pouco, pacientemente, vou mudando o que é necessário, e aperfeiçoando aquilo que já é bom.
Consegui equilibrar meu peso. Venci a timidez e estou cada vez mais confiante. Continuo desastrada, mas hoje considero isso mais um charme que um defeito. Parei de roer as unhas, uso salto sem constrangimento, tenho inteligência suficiente para fazer aquilo a que me determino, e as “únicas coisas” da lista introdutória que ainda não mudaram, é o número que calço, a música que toco e o ciúme que sinto… (Mas estou chegando lá, amém!? Rs…)
Deus me ama do jeito que eu sou. Ele também te ama do jeito que és. Foi ele mesmo quem nos encheu de dons e talentos, esperando que os encontremos dentro de nós. O primeiro passo para que consigamos isso, é nos aceitarmos exatamente como ele nos fez! 


Por: Luciana Honorata
Texto publicado com autorização da autora.
Link do texto: http://lucianahonorata.wordpress.com/2011/12/19/do-jeito-que-eu-sou/

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