17 de dezembro de 2013

Do jeito que eu sou (parte 1)

 

Tenho quase um metro e oitenta, minhas mãos são enormes, calço 39 quando não tem 40 e passei os primeiros 22 anos da minha vida numa acirrada luta contra a balança.
Sou mega-hiper-ultra-desastrada, roí as unhas até o sabugo por anos a fio, tenho ciúmes dos meus amigos, tento aprender violão há séculos (não com tanta perseverança) e não saio da mesma música.
Eu falava “assim”, com a língua nos dentes. Era tímida, acredite (na realidade, em essência ainda sou, embora interprete muito bem a expansividade).“Burra” em geografia e história, gosto de pensar que sou boa em matemática e português, mas não sou fluente em outra língua por “medo de perder” a nativa.
Tenho dificuldades de concentração, esqueço fácil de dar o recado. Rotina não é meu forte, disciplina é esforço sobre humano, e gosto de guardar coisinhas velhas com significado – além de alguns segredos…
Tá bom, não vou falar todos os meus defeitos, afinal, ainda quero um pouco de crédito da sua parte, pois tenho algo a dizer. Algo, aliás, que pode mudar a forma como você se vê.
Eu fui uma das meninas mais noiadas que conheci na vida. Quase tudo que eu citei já foi motivo de angústia para mim um dia, e o que não foi poderia muito bem ter sido. Só para que você tenha uma ideia, eu evitava me olhar no espelho! E não apenas a minha aparência, mas até a personalidade que possuo e as minhas limitações foram trunfos do diabo para anular minha autoestima e roubar minha alegria.
Os livros foram cúmplices nestes dias de insegurança da minha alma. Eles me permitiam viver realidades que eu imaginava não poder sozinha. Os diários, meus amigos, me ajudavam como podiam – sem julgamentos. Ouviam os meus lamentos sem recriminação alguma, e fingiam não perceber o que era notório: eu não me aceitava.
Não me aceitava como mulher. Não me aceitava como pessoa. Não aceitava minha aparência, meu jeito de ser, a minha vida de um modo geral… Eu desejava me tornar outra pessoa.
Não sei precisamente o dia em que tudo mudou. Para ser honesta, creio que não houve um dia “D”, aquele divisor de águas, o momento “a partir daí…”, mas entendo que foi um processo gradativo de compreensão de quem eu realmente sou, porque Deus não comete enganos.
Continua...

Leia a parte 2 aqui!
 
Por: Luciana Honorata
Texto postado com autorização da autora.
Link do texto: http://lucianahonorata.wordpress.com/2011/12/19/do-jeito-que-eu-sou/

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