20 de julho de 2012

Ser mãe é comer pizza fria!

Eu sempre quis ser mãe. Sempre. Toda vida era aquela que ainda criança cuidava das outras crianças, hipnotizava bebês e a única certeza de que eu tinha na vida é que ia ser mãe. Ser mãe me pertence. É meu. Nem lembro como eu era antes disso…

(É aí que entra a parte da mentirinha…)

Claro que eu lembro! Lembro quanto eu dormia, quanto eu saía sem deixar rastros, quanto dinheiro não tinha que ter na minha conta e quantas coisas eu podia comer quando ainda estavam quentes.

Engravidei com 28, mas grávida não é mãe, não vale. Virei mãe aos 29 anos.

Levei 20 horas para parir, de parto normal-anormal, de fórceps, numa manobra muito arriscada, e levei mais uns 2 meses pra poder sentar.

E, desde então, desde que a criaturinha chegou da maternidade em casa e ocupou o quarto ao lado, eu não fui mais eu. Ou eu comecei a ser eu?

Dormir virou artigo de luxo. Ir ao banheiro em paz, o bônus do milênio!

Vesga de sono, as paredes pareciam ter mudado de lugar. As visitas não paravam de brotar.

E aquele encantamento de quando estava grávida mudou assim que o conteúdo da barriga passou pros braços: se alguém me dava um oi antes de sair grunhindo “óooon, que liiindo, deixa eu pegaaaar?” eu já tava no lucro!

E aí quando alguém se lembra de conversar com você, sempre surge aquela perguntinha poética: afinal, o que é ser mãe?

As mães dão as mais lindas e variadas respostas, mas ninguém conta como é trabalhar 25 horas por dia em nome de um alguém que invariavelmente vai te dar trabalho para o resto da vida. Trabalho físico, mental e emocional, cuidar de tudo, arrancar folhas de ficus de dentro da goela, imaginar tragédias nas horas vagas são alguns dos trabalhos dessa profissão encantadora. E se alguém quiser pedir pizza para simplificar, acredite: você sempre vai comer ela fria!

Mas, incrivelmente, tirando o que é ruim… é muito bom!

E aquele amor que ninguém consegue explicar? Aquele sentimento que rasga a garganta, que dói de verdade de tanto que estufa o coração?

Aquela saudade de quando a coisinha tá dormindo, meia horinha que seja...

A enorme vontade de ser uma pessoa melhor. Uma mãe sã, uma filha melhor, uma amiga mais amiga… de cuidar do mundo, de querer poder dar para o filho tudo o que tiver de mais bonito na vida.

A gente se esquece dos primeiros parágrafos rapidinho. Mesmo.

Eu, por exemplo, estou tentando LOUCAMENTE engravidar do segundo.

Acho que é o tal instinto de preservação da espécie, porque é um ato de grande grau de insanidade. Só que insanidade pouca é bestagem…

Então, um brinde a nossa loucura, porque se for mãe, não for louca e nem comer pizza fria… DESCONFIE! 

Fonte: http://bebe.abril.com.br/blogs/confessionario/2012/05/08/ser-mae-e-comer-pizza-fria

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