20 de julho de 2012

O episódio da fotografia, da santidade e do que pode e que não pode



Nesse semestre na faculdade, eu fiz uma Oficina de Fotografia. Essa Oficina era no prédio da Belas Artes e acabava ao meio-dia. Eu faço curso de inglês, que começa às 11h40, em outro prédio. Por conta desse horário quase impossível, eu sempre saía da Oficina de Fotografia uns 20 minutos antes de ela acabar, para chegar a tempo no inglês. O professor de Fotografia, um senhor muito simpático, que já estava prestes a se aposentar, sempre passava slides com trabalhos interessantes de fotógrafos renomados. Um dia, no meio da aula, ele avisou que no final da aula passaria fotografias que tinham teor sexual e eram bastante fortes, e que antes, quando ele as passava sem avisar, alguns alunos se sentiam ofendidos, então quem não quisesse ficar pra vê-las podia ir embora mais cedo sem problema.

Deu 11:40 e eu saí da aula, por causa da aula de inglês em outro prédio. Eu nem pensei nisso na hora, mas as perguntas que vieram na minha cabeça depois foram: e se eu não tivesse aula de inglês? Se eu não tivesse outro motivo para sair da sala mais cedo? Eu teria ficado lá para ver as fotos, ou teria levantado e ido embora?

Não é como se alguma vez eu tivesse pegado um megafone e anunciado para toda sala que eu sou evangélica, mas eu acredito que todo mundo saiba que eu sou. E qual é a imagem de cristão que eu passo? Claro que essa não deve ser a nossa maior preocupação, "parecer" ser um cristão exemplar, mas ali naquele meio (e não só ali, mas especialmente ali na faculdade), eu realmente acho que é importante passar o referencial certo do que é ser um cristão. Acho que muita gente não dá lugar para o Espírito Santo em sua vida porque olha para os crentes em sua volta e pensa que não quer ser daquele jeito, então simplesmente se fecha para isso, quando, na verdade, ninguém vira cristão para ser igual à tia, ao vizinho ou à moça da papelaria, que são cristãos. A gente se torna cristão para ser igual à Cristo, e, se você se tornar um cristão, não vai se transformar na sua tia que só pega no seu pé, no seu vizinho chato, ou na moça da papelaria que é até legal, mas muito sem gracinha. O que você vai se tornar será nada mais, nada menos, que "você versão cristão". Mas isso já é assunto para outro texto, vou voltar para questão deste aqui.

Um dos meus colegas perguntou para o professor o que fazia uma fotografia ser considerada pornográfica, e ele respondeu que dependia de várias coisas, e as principais eram o que o fotógrafo queria passar e a intenção, o olhar do espectador. Ele disse que as fotos que ele ia apresentar tinham uma grande crítica pessoal do autor, uma crítica social, mas que, por terem mesmo um grande teor sexual, a gente estava liberado para sair e não vê-las. E respondendo à pergunta que eu fiz antes, se eu teria saído mais cedo se eu não tivesse a aula de inglês, para ser bem-sincera, eu tenho quase certeza de que eu não teria escolhido sair.

E é até engraçado como Deus nos ensina e nos mostra o que Ele quer. Eu não vi as fotos, mas do que eu fiquei sabendo, elas eram mesmo fortes, nem tanto por conta das partes sexuais, mas sim pelo olhar do fotógrafo em si. Eu não sei se, se eu tivesse ficado para vê-las, aquilo teria sido ruim para mim, se teriam de alguma forma "ferido" minha santidade ou algo assim, mas o que Deus mais me tocou em relação a essa situação nem foi sobre isso, foi sobre aquela imagem que a gente passa.

Quando eu saí da sala, acho que todo mundo percebeu. Eu normalmente saía – e várias outras pessoas também saíam – da sala mais cedo, mas, naquele dia, "sair da sala" tinha um sentido diferente. Eu não sei se mais alguém que sempre saía mais cedo também acabou saindo naquele dia, mas eu acho que não. Da mesma forma como eu também poderia ter decidido continuar na sala e chegar mais tarde no inglês naquele dia. Nesse dia, sair da sala teve uma conotação e um impacto diferente. E ter saído naquela situação teve algum reflexo na minha imagem como cristã ali na sala.

Apesar do título desse texto, minha intenção aqui não é propor uma lista do que se pode ou não fazer (ou, mais especificamente nesse caso, ver) como cristão. Além de recuar diante do que nos é oferecido no banquete desse mundo e de seguir tudo mais que está de fato ordenado na Palavra do Senhor, aquilo que devemos ou não fazer em cada situação a fim de nos santificarmos a cada dia diante dEle será estipulado através da nossa relação com o Pai, da nossa proximidade e na nossa intimidade com Ele. Santidade não é algo que se recebe no dia em que nos convertemos e pronto, está lá, problema resolvido. Santidade é a nossa vida, é uma escolha diária, e vai muito, muito, além de somente assuntos sexuais (vide Salmos 15).

Deus se importa com as motivações, com as intenções do nosso coração, mas nossa imagem como cristão nesse mundo também é importante. Certa vez li uma frase que dizia "Os bastidores da sua vida mostram como vai ser no palco", e é isso mesmo. Nossa intimidade com Deus vai facilmente ser refletida nas nossas ações e nas nossas relações. Facilmente mesmo. E o fato de "parecer" cristão não vai ser algo forçado quando estamos realmente andando com o Senhor, dependendo dEle e colocando o controle das nossas vidas nas mãos dEle.

Eu sempre fico surpresa em ver como certas ações que nós tomamos e certas conversas que temos podem ser interpretadas de formas tão diferentes, tanto para nós que as fazemos, quanto para quem elas são direcionadas, e também para quem só está assistindo. Não tem como eu saber como cada um vai receber aquilo que vou fazer. Então, só me resta confiar em Deus, e essa, com toda certeza, é a melhor das minhas opções. Assim, eu sei que Ele me levará pelos caminhos dEle, que são os certos (e muito melhores que os meus). E aí quando essa preocupação com a imagem de cristã que eu passo aos outros vier à minha mente, eu vou saber que independente do que eu estiver fazendo, aquilo é o que Deus quer pra mim, e não importa se for recebido com tédio, sem entendimento, ou com zombaria, pois meu coração vai estar tranquilo, por que o mais importante eu já estarei fazendo: agradando a Deus.

Por:


 Amanda Almeida
Estudante de Comunicação Social na UFMG
Frase: Apaixonada por Aquele que me amou primeiro!
Twitter: @mandyalmeida


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