29 de junho de 2012


O que pensar dos milagres de Jesus

EU SUSTENTO que em todos esses milagres [de Jesus], o Deus encarnado realiza repentina e especificamente, algo que ele já fez ou fará de maneira genérica. Cada milagre escreve para nós em letras miúdas algo que Deus já escreveu, ou irá escrever, em letras quase que grandes demais para serem notadas pela tela da natureza. Os milagres focam em um ponto particular do fenômeno, atual ou futuro, nesse universo. Quando eles reproduzem coisas já vistas antes em grande escala, são chamados de milagres da velha criação; quando eles focam naqueles que ainda estão para vir, são milagres da nova. Nenhum deles está isolado ou é anômalo. Cada um carrega a assinatura do Deus que nós conhecemos pela nossa consciência e pela natureza. A sua autenticidade é atestada pelo seu estilo.

Antes de avançar, devo dizer que não tenho a intenção de levantar a questão já discutida há pouco: se Cristo estava em condições de fazer essas coisas somente porque ele era Deus ou também porque era perfeitamente homem, pois existe a possibilidade de que o homem pudesse agir com o mesmo poder, caso não tivesse caído. Uma das glórias do cristianismo, que podemos afirmar com relação a essa questão, é que “isso não importa”. Não importa que tipo de poder o homem não caído possa ter tido; parece que o poder dos homens redimidos será praticamente ilimitado. Cristo, quando subiu aos Céus, fez subir toda a natureza humana junto com ele. Aonde quer que ele vá, ela irá junto e será feita “igual a ele”. Se, nos seus milagres, Cristo não estiver agindo como o velho homem agia antes da queda, então está agindo como o novo homem, todo novo homem, agirá depois da sua redenção. Quando a humanidade que leva nos ombros, passar com ele das águas geladas e escuras para as águas verdes e quentes, e finalmente para fora em direção à luz do sol e ao ar puro, ela também se tornará luminosa e colorida.
– de Miracles [Milagres]

>>> Retirado de Um ano com C. S. Lewis (Editora Ultimato, 2009)